Sobrado de Tijolo Ecológico: Dá para Construir 2 Andares?
Técnico28 Ago 202616 min de leitura

Sobrado de Tijolo Ecológico: Dá para Construir 2 Andares?

Sobrado de tijolo ecológico dá certo até 2 pavimentos. O que muda na fundação, no grauteamento, na laje e na escada, com os números das normas ABNT.

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Atalho para quem já decidiu

Do orçamento à chave: as 6 fases da Rocket

Sobrado não se decide na obra, se decide na prancheta. O programa vem antes da sondagem, a sondagem vem antes da fundação e a planta de grauteamento vem antes da primeira fiada. Veja como a Rocket encadeia as 6 fases, da primeira conversa até a chave.

Sobrado de Tijolo Ecológico: Como Levantar 2 Andares com Segurança e Economia

Sobrado de Tijolo Ecológico: Como Levantar 2 Andares com Segurança e Economia

Dá. Sobrado de tijolo ecológico é obra rotineira, e dois pavimentos é justamente o patamar onde o sistema trabalha confortável. O problema é que a pergunta quase nunca vem sozinha. Quem pergunta se dá, na verdade quer saber outras três coisas: quanto custa a mais que uma térrea, o que muda na fundação e se a equipe da região sabe executar. São respostas diferentes, e só a primeira é curta.

A confusão nasce de um detalhe de norma que quase ninguém lê inteiro. A peça de solo-cimento é normalizada no Brasil como componente de vedação. A ABNT NBR 10834 trata do bloco vazado de solo-cimento sem função estrutural, e a NBR 8491 cuida do tijolo maciço. Ler o título dessas normas e concluir que sobrado é proibido é o mal-entendido mais comum do setor inteiro.

O que a norma diz é outra coisa: a peça sozinha não carrega a edificação. Quem carrega é o conjunto, parede mais graute mais armadura, dimensionado por um engenheiro. A referência brasileira de projeto e execução é a ABNT NBR 16868, publicada em 10 de agosto de 2020, que unificou num documento só as antigas NBR 15961, de blocos de concreto, e NBR 15812, de blocos cerâmicos.

Este texto mostra o que muda de verdade da térrea para o sobrado: onde a carga acumula, quanto o grauteamento adensa no térreo, qual fundação o segundo pavimento cobra, como a laje precisa apoiar, por que a escada é o item que mais atrasa obra e em qual situação a térrea ampliável ganha do sobrado na planilha.

O que as normas ABNT permitem e o que elas não permitem

A ABNT NBR 8491 fixa o que o tijolo maciço de solo-cimento precisa entregar para ser aceito: resistência à compressão com valor médio igual ou maior que 2,0 MPa e valores individuais iguais ou maiores que 1,7 MPa, além de absorção de água que não ultrapasse 20%. O método de ensaio que mede isso é a NBR 8492. Para o bloco modular vazado, o par equivalente é NBR 10834 com NBR 10836, no mesmo patamar de 2,0 MPa de média e 1,7 MPa individual.

Repare no que esses números são: um piso mínimo de aceitação, não o teto do material. Uma peça prensada com dosagem correta, umidade controlada e cura respeitada entrega bastante acima desse mínimo, e é exatamente essa folga que abre a conversa de sobrado. Quem quiser conferir resistência, absorção e tolerância dimensional da peça antes de seguir encontra os números nas especificações técnicas do tijolo Rocket.

A expressão 'sem função estrutural' significa, na prática, que a peça isolada não é certificada para receber carga de edificação por conta própria. Ela não proíbe o sobrado. O elemento que carrega é a parede montada: tijolo, graute preenchendo os furos verticais, armadura de aço nos pontos calculados e cintas horizontais amarrando o conjunto. Esse elemento composto é dimensionado como alvenaria estrutural armada, sob a NBR 16868, e sai do papel com projeto e ART assinada.

Por isso a resposta honesta para 'dá para fazer sobrado?' é: dá, com projeto estrutural. Vale registrar que isso não é uma exigência do tijolo ecológico, é uma exigência de qualquer sobrado. Sem projeto não se faz nem térrea com segurança, se faz aposta.

Onde a carga acumula quando você empilha o segundo pavimento

Numa casa térrea, a parede recebe o peso do telhado e o peso dela mesma. Num sobrado, a parede do térreo recebe o telhado, a laje intermediária, tudo o que estiver sobre essa laje e todas as paredes do pavimento superior. A carga na base não dobra matematicamente, mas cresce o suficiente para mudar o projeto de grauteamento de forma visível.

O adensamento aparece assim na prancha: o pavimento superior costuma manter um espaçamento de grauteamento parecido com o de uma casa térrea, e o térreo fecha bastante. O que não é opcional em nenhum dos dois pavimentos são os pontos obrigatórios de sempre, ou seja, cantos, encontros de parede, bordas de vão de porta e janela e todo ponto onde alguma coisa apoia.

Os apoios são o coração do projeto de sobrado. São três famílias: apoio da laje intermediária, apoio da escada e apoio da estrutura de telhado. Cada um concentra esforço num trecho curto de parede, e é comum o cálculo devolver ali um pilar de concreto convencional em vez de simplesmente mais grauteamento. Misturar os dois sistemas na mesma planta não é remendo, é a solução normal quando a carga é pontual demais para a parede distribuir sozinha. O detalhamento de onde o concreto entra e onde ele não precisa entrar está no texto sobre estrutura de concreto em tijolo ecológico.

Existe ainda o esforço horizontal, que muita gente esquece na conversa. Sobrado é mais alto e mais esbelto que térrea, então vento pesa mais e a parede trabalha também contra tombamento. As cintas horizontais e a amarração da laje ao topo da parede do térreo são o que transforma quatro paredes soltas numa caixa rígida. Na faixa litorânea, onde vento forte e maresia são rotina o ano inteiro, esse item deixa de ser refinamento e vira requisito. Todo projeto de casa em tijolo ecológico em Araruama e região parte desse pressuposto.

Fundação: é aqui que o sobrado cobra a diferença

Comece pela geometria, porque ela é a única parte da conta que é boa notícia em todas as linhas ao mesmo tempo. Um sobrado de 160 m² construídos ocupa por volta de 80 m² de terreno. Uma térrea de 160 m² ocupa 160 m². Isso significa metade da área de fundação, metade da área de telhado e metade do movimento de terra para o mesmo programa de casa.

A contrapartida é que essa fundação menor recebe o dobro de carga por metro quadrado. Por isso o critério de escolha entre radier, baldrame e sapata muda no sobrado. O radier resolve muita casa térrea em solo homogêneo e continua sendo opção válida em sobrado, mas com espessura e armadura recalculadas, nunca com a mesma prancha da térrea. Em solo arenoso ou com camadas moles, sapata corrida ou sapata isolada com viga baldrame costuma voltar para a mesa.

O que decide isso não é preferência do construtor, é sondagem. Uma sondagem SPT feita antes do projeto custa uma fração do que custa corrigir recalque depois. E num sobrado o recalque diferencial é mais grave por um motivo simples: a trinca aparece em parede estrutural, que é a que sustenta a casa, e não em parede de vedação, que só fecha o vão. Os critérios de cada tipo estão no comparativo de radier, baldrame e sapata, e o dimensionamento em si é trabalho do serviço de engenharia.

A cinta de amarração e a laje do meio

No topo da parede do térreo entra a cinta de amarração, executada em canaleta: uma fiada de peças em formato U, armadura corrida por dentro e concreto preenchendo. Ela cumpre três funções simultâneas. Distribui a carga da laje ao longo de toda a parede, em vez de deixá-la concentrada em pontos. Amarra as paredes entre si formando o anel rígido do pavimento. E ancora a armadura vertical que sobe do grauteamento do térreo.

Sobre a laje em si, o sistema aceita as três famílias usuais sem drama. Laje treliçada com lajota cerâmica ou EPS é a mais comum em obra residencial, leve e rápida de montar. Laje maciça entra em vãos maiores, em áreas molhadas e quando o projeto pede continuidade estrutural. Laje nervurada aparece quando o vão livre é grande, como sala com pé-direito duplo ou garagem embaixo de dormitório.

O ponto crítico não é qual laje você escolhe, é como ela apoia. Laje descarregando direto sobre o tijolo, sem cinta de amarração, é o erro estrutural mais caro que se vê em sobrado de solo-cimento. A carga concentra na borda da peça, e a borda lasca. Com cinta bem executada e nivelada, o apoio é contínuo e esse problema simplesmente não existe.

Vale um alerta de cronograma: a cinta é concretada e precisa de cura antes de receber a laje, e a laje precisa de cura antes de receber a alvenaria do pavimento superior. Esses dois períodos de espera são reais, entram no cronograma e são a principal razão pela qual sobrado leva mais tempo que térrea mesmo com a mesma equipe.

Escada: o item que mais atrasa obra de sobrado

A escada atrasa obra de sobrado com uma frequência que surpreende, e quase nunca por causa da escada em si. Ela atrasa porque é decidida tarde. O tipo escolhido muda a fundação, muda o grauteamento da parede que a recebe e muda o vão que a laje precisa deixar aberto.

**Escada em concreto armado moldada no local.** É a mais usada e a mais pesada. Precisa de apoio próprio, normalmente uma viga ou uma parede grauteada reforçada nos dois extremos, e às vezes um pequeno bloco de fundação no arranque do primeiro degrau.

**Escada pré-moldada com degraus engastados na parede.** Transfere carga concentrada em cada ponto de engaste, o que exige que aquela parede tenha sido projetada e grauteada para isso desde a primeira fiada. Não é um detalhe que se resolve depois.

**Escada metálica ou de madeira autoportante.** É a mais leve para a alvenaria e a que menos interfere no projeto estrutural, porque descarrega no piso e num apoio superior definido, sem pendurar esforço ao longo da parede.

A regra prática é curta: escada se escolhe junto com a planta, não depois da laje pronta. Quem deixa para decidir no canteiro acaba quebrando parede grauteada, e parede grauteada não se quebra, se refaz inteira. Os projetos arquitetônicos e estruturais já saem com arranque, vão e apoio definidos justamente para não cair nessa.

Instalações no sobrado: a prumada que a térrea não tem

Em casa térrea as instalações correm quase todas na horizontal. No sobrado aparece a prumada, que são os tubos subindo do térreo ao pavimento superior, mais as descidas de esgoto e de água pluvial, que precisam de caminho vertical contínuo do alto até o térreo.

O furo vertical do tijolo modular ajuda bastante na elétrica: o eletroduto desce por dentro do furo, sem quebrar nada e sem rasgo de parede. Mas o furo tem diâmetro limitado, e é aí que mora o erro de planejamento. Tubo de esgoto de 100 mm não cabe em furo de tijolo. Coluna de água pluvial e tubo de ventilação também não. Esses precisam de shaft, de parede dupla ou de um trecho de fechamento em drywall, e todos os três precisam estar previstos em planta.

E existe uma regra que não se negocia: furo que vai receber graute e armadura não recebe tubulação. Se o eletroduto ocupar um furo grauteado, uma de duas coisas acontece, e nenhuma é boa: ou o graute não desce até o fundo, ou a armadura fica sem cobrimento adequado. Compatibilizar hidráulica, elétrica e planta de grauteamento antes da primeira fiada é o que separa obra limpa de obra com marreta. Os caminhos possíveis estão em instalações elétricas e hidráulicas no tijolo ecológico.

Quanto o sobrado custa a mais que a térrea equivalente

Não existe percentual universal, e quem devolver um número fechado por telefone, sem ver terreno nem programa, está chutando. O que existe é a lista das linhas onde a diferença aparece, e ela é curta o suficiente para você conferir em qualquer orçamento que receber.

**A favor do sobrado.** Fundação e telhado cobrem cerca de metade da área para a mesma metragem construída. O terreno necessário encolhe, e em região onde o lote é caro esse é o item mais pesado da conta inteira. Infraestrutura externa como calçada, drenagem e muro proporcional ao lote também diminui.

**Contra o sobrado.** A laje intermediária é uma linha inteira de custo que não existe na térrea. A escada é outra. A fundação é menor em área mas mais robusta por metro quadrado, então não economiza proporcionalmente. A alvenaria do térreo consome mais graute e mais aço por causa do adensamento. E a obra passa a exigir andaime, elevação de material e mais tempo de equipe trabalhando em altura, o que mexe em mão de obra e prazo ao mesmo tempo.

A leitura prática que sai disso é bem consistente. Em terreno caro, o sobrado costuma ganhar, porque o item mais pesado da conta é o lote e ele cai pela metade. Em terreno barato e largo, a térrea costuma ganhar, porque laje, escada e trabalho em altura somam mais do que a economia de fundação e telhado. O fechamento desse número depende do seu programa, do seu lote e do seu acabamento, e é isso que um orçamento resolve.

Sobrado agora ou térrea preparada para subir depois?

Existe um terceiro caminho que raramente entra na conversa e que resolve bem uma boa parte dos casos: a casa térrea projetada desde o início para receber o segundo pavimento mais tarde.

Ela funciona assim. A fundação e o grauteamento do térreo são dimensionados já para a carga futura do pavimento de cima. As esperas de armadura ficam aguardando no topo das paredes que vão subir. E a cobertura é executada como laje de piso, não como forro leve. Você mora térrea, e quando o orçamento ou a família pedirem, sobe sem refazer nada do que já está pronto.

O custo dessa escolha é honesto e concentrado em três itens: fundação e grauteamento mais robustos do que a térrea pura precisaria, laje no lugar de forro, e o projeto estrutural feito uma vez só contemplando os dois cenários. O ganho é não pagar a obra inteira agora e não jogar fora nada depois.

O erro clássico é fazer isso na intenção, sem projeto. A casa é construída como térrea comum, o proprietário guarda o plano de subir na cabeça, e cinco anos depois o cálculo mostra que a fundação não aceita o segundo andar. É de longe o motivo mais comum de casa térrea que nunca virou sobrado. Os programas e metragens possíveis estão nos modelos de casa.

Cinco erros que reprovam um sobrado em solo-cimento

**Decidir o sobrado depois da fundação pronta.** É o erro mais caro da lista porque não tem conserto barato. Fundação de térrea não recebe sobrado, e reforçar fundação existente custa mais que ter feito certo.

**Tratar 'sem função estrutural' como proibição, ou como irrelevância.** Os dois extremos erram. Quem lê como proibição desiste de uma solução válida. Quem lê como irrelevância empilha parede sem cálculo e sem graute, que é onde mora o risco de verdade.

**Laje apoiada direto no tijolo, sem cinta de amarração.** Concentra carga na borda da peça, lasca a face e compromete a amarração do pavimento. Uma canaleta bem executada resolve por um custo que é ruído dentro da obra.

**Passar tubulação por furo que vai receber graute.** Ou o graute não preenche, ou a armadura fica exposta. Compatibilização de projeto antes da primeira fiada elimina isso de graça.

**Comprar a peça olhando só o preço do milheiro.** Sobrado é o caso em que resistência e tolerância dimensional param de ser detalhe técnico e viram requisito estrutural, porque peça irregular não empilha alinhada e furo desalinhado não recebe graute contínuo. Os critérios de comparação estão em preço do tijolo ecológico por milheiro.

O resumo que interessa antes de decidir

Sobrado de tijolo ecológico não é exceção nem façanha de engenharia. É projeto. A peça precisa ter resistência e regularidade dimensional comprovadas, a parede precisa de graute e aço nos pontos que o cálculo apontar, a fundação precisa de sondagem antes da prancha e a laje precisa de cinta de amarração. Com esses quatro itens resolvidos no papel, a obra em si costuma ser mais rápida e mais limpa que a equivalente em alvenaria convencional, porque estrutura e vedação sobem na mesma etapa.

Dois pavimentos é o patamar confortável do sistema, e é onde está a esmagadora maioria das casas residenciais. Acima de três pavimentos a prática consolidada é migrar para colunas estruturais tradicionais, e isso não é uma limitação do solo-cimento, é o mesmo ponto em que a alvenaria estrutural em geral cede espaço para o concreto armado.

Se você está avaliando um sobrado agora, os dois caminhos úteis são fechar programa e terreno para pedir um estudo, ou conferir antes se a peça atende ao que o seu projeto vai exigir. A equipe atende pelo (22) 99245-5334.

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